Sobre

A Berço D'água têm como objetivo proporcionar uma vivência segura e positiva de parto e nascimento para as gestantes e seus familiares. Considera que a educação em saúde, o preparo emocional e a competência técnica formam um tripé fundamental para a satisfação desta experiência gestacional. É composta por duas Enfermeiras Obstetras que acreditam na individualidade de cada gestante e na sua capacidade de gestar e parir e que ofertam serviços de assistência à gestação, parto e pós parto.


Textos recomendados por nós!

As Ondas do Nascimento

24 janeiro 2019


Por Klara Barker

Como uma onda no mar, cantou Lulu.
A contração é como uma onda no mar, da qual você não pode correr.
Ou você mergulha e atravessa a onda, ou você surfa nela, ou você resiste à ela. E, neste último caso, ela costuma lhe dar um tombo bem dolorido… pois a resistência gera sofrimento.
E é realmente difícil lidar com as grandes ondas. E você só começar a aprender quando está mesmo diante dela.
Neste processo de aprendizado você sente muito medo. Sofre uns tombos, quer desistir, engole água do mar, acha que vai se afogar, e mal termina uma onda… e lá vem outra.

É a contração do trabalho de parto.
É possível surfar nesta contração do trabalho de parto.
Nesta onda que vem chegando, vai crescendo, fica de um tamanho que lhe dá aquela vontade de sair correndo e sumir.

Esta onda que começa de fininho, chega num pico, se consolida e mostra sua presença.
E realmente, não tem como fugir. E é aí, bem aí, que você precisa mergulhar dentro da onda e se entregar.
Permitir que ela te abraçe por inteiro. Aceitar que ela é parte de você mesma. Descobrir que é possível atravessar e sair do outro lado da onda. Respirar um pouco e se preparar para a próxima.

Tem contração que te coloca dentro de um túnel. Aquele túnel que o surfista adentra quando pega uma onda. É como uma contração doída que vai te apertando. Mas no final do túnel tem uma saída, e um belo horizonte te esperando.

 Depois de um tempo mergulhando, resistindo, mergulhando, atravessando, repondo o fôlego, pegando alguns túneis... você descobre um outro jeito de encarar a onda. Você já sabe que ela vai surgir, percebe teus sinais, e então, o que fazer?
Esquece o medo e sobe na prancha. Deixa a onda te guiar. Deslizando nela, fica de pé. Muda de posição. Movimenta o quadril. Se equilibra. Faz manobras. Respira. Geme. Deixa ela te levar...e vai surfando nesta onda que é a contração.

E lá bem em cima daquela onda que dói horrores. Quando parece impossível. Lá em cima, você ressignifica essa dor! Aceita o seu papel pois entende que esta onda te levará para o encontro tão esperado com filho que habita o teu ventre! Momento profundo...

E esta onda que vem e vai, começa a se desfazer em uma grande onda interna de transformação. Te leva a um espaço de limites, de medos, te leva a uma oportunidade de superação.

Surfando nela, você sairá do mar profundo para encontrar a beirada da praia. Areia quentinha sob teus pés. Cheiro do filho nos braços da rebentação.
 E depois que as ondas passam, naquele mar que estava agitado você consegue boiar. Contemplar o sol nascendo, o céu azul se ampliando, os pássaros voando. É festa, todo o universo se alegrando.

 A coragem desenvolvida na hora de parir segue contigo pro resto da vida. Talvez você se canse da braveza deste mar, fique meio ressentida e pode até nunca mais querer voltar. Mas, certamente, este mar nunca mais vai sair de você.

Se na hora de surfar, a prancha quebrou. Ainda assim verá as estrelas do céu refletirem nas doces águas do teu coração. Transbordar, resignar e lhe fazer compreender. Talvez você sinta saudades desse momento, da onda, da força, e de tudo que trouxe seu filho pro mundo. Onda que sobe incontrolável. Onda que te ensinou a mergulhar profundo.
Com ela, você abriu os olhos internos do teu mar e contemplou os peixinhos coloridos da sua alma. Saudades da onda que te ensinou a contemplar a força que habita o teu ser, e que desabrochou num lindo bebê.

 E se caso não gostou da experiência do nascimento… Depois da tempestade, reconhece o mar revolto que você desbravou! Aceita as conchas quebradas desta caminhada, pois no final das contas, o mar é real para todos.

“Porque a vida vem em ondas! Num indo e vindo infinito…” Nadar, mergulhar, surfar e seguir adiante com a sua história. O seu parto. Porque nós mulheres somos um vasto oceano e todas temos a força necessária para enfrentar as ondas do nascimento.

A parteira ideal

27 fevereiro 2018



Por Klara Barker

A parteira que você escolhe tem a ver com aquilo que você precisará durante o seu parto.
Não é por acaso.
Se sua demanda é racional e técnica, uma parteira mais séria, direta e introvertida pode ser bom para você.
Se a demanda for de cunho espiritual, a sabedoria virá por parte dela, para lhe ajudar nas curas necessárias. Ancorar as energias mais sutis para lhe ajudar.
Se a demanda é mais emocional e familiar, uma parteira amorosa, que lhe dá aconchego, pode ser o combustível certo.
Se lhe falta firmeza, talvez ela tenha o tom para lhe fazer ir em frente.
Pode lhe dar uma dura. Tipo um remédio que é amargo, mas cura.
Se há muito medo, que lhe seja um poço de paz. Sombra reparadora.
Se quer solidão, lhe dá espaço.
Se quer águas turvas das tuas emoções, lhe estende a mão quando você quiser retornar.
Seja como for… Conhecimento e personalidade entrelaçados. Ferramentas sagradas do cuidado humano. E assim, abre-se um leque infinito de pessoas que atendem partos, para um infinito de mulheres que querem dar a luz.
Não há parteira perfeita, tampouco enfermeira obstetra, médico, ou doula, mas há aquele profissional que pode lhe dar o ingrediente que equilibra a tua balança na hora de dar a luz. Que faz seu espírito se aprumar.
Esta pessoa está por aí! Procura. Não é um cálculo tão exato.
Adquira conhecimento sobre o processo de parir, para poder discernir.
Entender que não há o parto ideal, mas há certamente, um instante na gestação onde as coisas se encaixam e a história se desenrola… trazendo seus desafios e suas glórias.
Ninguém prevê o desfecho. Mas quando nascer, verá que está diante de uma das maiores manifestações da vida. Ou a própria essência da vida ali desnudada.
Entender o nascer e morrer como processos complementares. Sendo impossível nascer, sem antes morrer em algum sentido.
O parto, trará aprendizados. Grandes emoções, lições, memórias, sabores e dissabores. Que podem sim, ser elaborados e acolhidos com amor e respeito. E isso faz parte do entendimento de que nascer ainda é um grande mistério. De que parir excede qualquer entendimento.
E, de que, neste momento, algo de muito poderoso nos envolve para permitir que uma criança venha ao mundo e cumpra seu destino, seja ele qual for.
E, assim, todos aqueles, envolvidos no nascimento, sentem de algum forma, que cumpriram o seu destino também.


Parto natural, humanizado ou animalizado?

20 novembro 2017



Por Natália Schettini
Enfermeira Obstetra, amiga e colaboradora da Berço D’Água
Edição por Klara Coelho Barker

Não importa como queiram chamar, na verdade, o que importa é ser uma experiência positiva para o trinômio (mãe-filho-família).

Pode ser normal ou cesárea, mas deve ser da escolha da mulher, após muita orientação e informação de fontes confiáveis. Lembrando que a cesárea deve ter uma indicação real, caso seja desnecessária, traz risco para mãe e para o bebê. Se a escolha for por um parto natural, se necessário uma cesárea de emergência, a mulher continua sendo a protagonista do parto, preservando e respeitando seus direitos e vontades no cuidado com seu filho e no ritual da placenta.

Segundo a psicóloga Renata Palombo, a humanização é um processo de busca individual para tornar-se cada vez mais consciente de sua humanidade, e também para compreender o parto de forma instintiva e natural, assim como o nascimento de outros mamíferos.

Humanizar é deixar de lado as interferências mecânicas, é se aproximar das origens. É permitir-se sentir e emocionar, é considerar o psíquico e o espiritual, sem um anular o outro, mas integrando tudo como parte da completude que é ser humano. Não é afastar-se completamente da tecnologia que trouxe grandes avanços para a humanidade, porém só utilizar-se dela quando for extremamente necessário, uma vez que a fisiologia e o instinto devem agir simultaneamente, sem interferências, na transformação da mulher em mãe.

A colunista Roselene de Araújo afirma que o universo cultural em que fomos criadas nos ensinou a querer controlar e prevenir todos os possíveis e inimagináveis perigos. No entanto, o parto é um mistério. Ele acontece seguindo as leis da natureza e não a nossa lógica e vontade, por isso há tanto medo do inesperado ao se optar por um parto natural.

Além disso, o medo da dor e o desaparecimento do parto natural na sociedade têm muito a ver com nosso estilo de vida. Buscamos segurança, sucesso, eficiência, resolutividade, resultados instantâneos, necessidade de gratificação, num rítmico frenético que alimenta uma falsa ilusão de controle, bem-estar e proteção, ancorada também no uso excessivo da tecnologia. Isto trouxe consequências profundas dentro do ambiente do nascimento, tornando-o mais ‘tecnologizado”. Surge, então, a dificuldade de confiar naquilo que é fisiológico e que não precisa de intervenções, o estranhamento com o a cena do parto, a impaciência com um processo mais lento e progressivo, e, por fim, a desconexão da mulher com seu próprio corpo.

Porém, a dor é como um guia durante o parto para a proteção da mãe e o bebê. E o medo é uma sensação favorável que deixa nosso corpo em alerta diante de um perigo, que, no contexto do parto, é simbolizado pelo bebê que “ataca” o corpo materno. A mulher para proteger-se precisa se opor ao seu próprio corpo estimulando-o a iniciar o processo rítmico de contrações para colocar o seu filho no mundo e concretizar esta “separação” física. Assim, cada ação da mulher traduz-se em “atacar”, como um movimento em direção a algo, para o “perigo”. Numa perspectiva feminina da fisiologia, a luta significa render-se, abrir- se (Taylor 2002). No trabalho de parto a resposta fisiológica mais importante à dor é, como sabemos, o movimento.

Assim, a liberdade de movimento será a ferramenta principal desta “luta”. É a “tecnologia” mais adequada para que a mãe possa ter seu parto natural de forma funcional e suportável para si mesma. Instintivamente procurando posições que lhe favoreçam, a mulher protege seu corpo de danos em sua bacia, seu períneo, seu colo do útero, e protege o bebê de posições inadequadas para o nascimento. Conseguindo, assim, deixar fluir o processo do parto normal e reduzir o nível de estresse e medo durante o parto.

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Um mergulho no mundo hormonal do parto

19 novembro 2017

Por Natália Schettini
Enfermeira Obstetra, amiga e colaboradora da Berço D’Água
Edição por Klara Coelho Barker

(...)

Para explicar esse fenômeno é importante saber que o cérebro tem duas regiões que trabalham intensamente durante o trabalho de parto: o hipotálamo e a hipófise. São partes primitivas do cérebro que estão associadas aos instintos e emoções, responsáveis pela preservação da vida e da espécie. Essas regiões produzem e liberam a Ocitocina. Primeiro, ela começa a ser produzida pelo feto após modificações placentárias e fetais, e posteriormente é produzida pela mãe.

Este hormônio é liberado inicialmente quando há estímulo na região do colo uterino, despertando as contrações prodrômicas, ainda irregulares. E depois, quando o corpo começa a produzir a ocitocina de forma constante e crescente, consolida as contrações mais longas e poderosas, características da fase ativa, fazendo com que a gestante inicie o trabalho de parto, dilatando o colo uterino e empurrando o bebê para baixo. Sendo, então, o principal hormônio envolvido na preparação do corpo da mulher para a chegada do bebê.

A ocitocina é conhecida como o hormônio do amor, por fazer com que um indivíduo se sinta atraído por outro, que o deseje, que sinta vontade de ficar com ele e de estar sempre próximo. Por isso, o maior pico de sua ativação ocorre nos primeiros cinco minutos de contato com seu filho após o nascimento. Ela também liga mães e bebês através da amamentação, porque promove a contração das glândulas mamárias e a ejeção do leite. E durante cada mamada, causa sensação de prazer e relaxamento materno, pois atua nas células cerebrais do sistema límbico, as quais estão relacionadas às emoções. É por isto que as mamíferas se entregam a seus filhos de uma maneira tão instintiva durante o período de lactação.


A naturóloga e doula Raquel Oliva retrata as endorfinas como analgésicos naturais que aliviam as dores do parto e que também alteram o estado de consciência da mulher. Coloca a mulher em um estado hipnótico, fazendo-a abandonar seu ego e seus limites permitindo, assim, que o sistema autônomo assuma as funções conduzindo-a a uma dilatação completa, e após o nascimento, levando-a a receber o bebê com êxtase e alegria.

A adrenalina e a melatonina, também desempenham um papel importante no parto. Enquanto a melatonina associa-se à ocitocina para ajudar nas contrações, a adrenalina dá à mãe uma força nos momentos finais do parto e ajuda o bebê em sua primeira amamentação.

Interessante ressaltar que a melatonina é conhecida como o hormônio do escuro, uma vez que o corpo secreta-o durante a noite e sua produção cai bastante durante o dia ou em ambientes muito iluminados. Por este motivo, muitos trabalhos de parto se iniciam no meio da noite, fase em que os níveis deste hormônio estão mais altos. Por sua vez, a adrenalina é o hormônio produzido em situações de estresse, e durante o trabalho de parto, pode induzir a uma redução das contrações, o que afeta diretamente o caminho natural do parto. Por isso, é importante que o ambiente para o trabalho de parto tenha redução de luminosidade, para que a melatonina aja plenamente, e que seja um ambiente confortável e sem estressores, para que os níveis de adrenalina da mãe só tenham um pico maior nos momentos finais do parto.

Reduzindo os estímulos que geram estresse na mãe, reduzimos a atuação do neocórtex. Ele é a parte do cérebro responsável pelo racional e pelo pensamento, e deixa a pessoa "ligada", inibindo a parte cerebral primitiva que conduz todo o processo hormonal do trabalho de parto. Assim, os estímulos externos como luz, barulho, odores fortes, movimentos estranhos, presença de pessoas desconhecidas e não autorizadas pela mãe, e quaisquer outros estímulos inesperados podem interferir nessa regulação, atrapalhando ou até mesmo interrompendo o trabalho de parto.

O parto é entrega! Devemos nos deixar levar pelos instintos. Precisamos ativar o hipotálamo e a hipófise, desativar o neocórtex e, para isto, pensar menos. Sendo assim, a parturiente que se informa antecipadamente sobre esse processo, compreendendo o que está acontecendo em seu corpo, ficará mais confiante para deixar seus instintos agirem.

A Obstetra Quésia Villamil, acrescenta ainda, que com o uso artificial da ocitocina, o corpo reduz a produção endógena, por uma questão de feedback negativo: já que há quantidade suficiente deste hormônio, não é necessário produzi-lo mais.

Assim, há aumento da chance de complicações não apenas para o recém-nascido, mas também para a mulher, uma vez que ela tem maior risco de apresentar hemorragia pós-parto. Já que sua produção corporal de ocitocina não foi estimulada totalmente durante seu parto, o corpo também não produzirá a quantidade necessária deste hormônio para contração uterina após a saída da placenta, o que leva a um sangramento aumentado.

O uso da ocitocina artificial indiscriminadamente para acelerar o trabalho de parto, também explica muitos problemas comuns nos dias de hoje, como a dificuldade no processo do aleitamento materno, o aumento dos índices de depressão pós-parto, e também problemas que se instalam na consolidação do apego mãe-bebê.

O obstetra francês Michel Odent afirma que hoje a quantidade de mulheres que sintetizam os hormônios naturais do amor na hora do parto está tendendo a zero. O que exime o ser humano de exercer sua humanidade. E complementa, dizendo que a prioridade hoje não é humanizar o parto, e sim, mamiferizar o parto. Resgatar esta dança fisiológica de hormônios, que atuam profundamente no laços afetivos e na construção de vínculo.

Devemos, portanto, evitar o excesso destes estímulos e o uso rotineiro de ocitocina sintética. Ambos atrapalham o fluxo da rede hormonal, podendo tornar o parto mais difícil ou até traumático, ampliando as possibilidades de intervenções desnecessárias neste momento.

Ter a consciência de que todo mamífero sabe parir, que a mulher tem a força de uma leoa e que deve confiar em sua capacidade de dar à luz e amamentar seu filho, torna esse processo muito mais simples e natural. Assim, neste ritual de passagem para uma maternidade ativa, a mulher e seu filho não precisam de mais nada além de seguir o instinto dos seus corpos, com os hormônios naturais atuando em sinergia para permitir o nascimento.

O ciclo medo-tensão-dor durante o trabalho de parto

18 novembro 2017

Por Natália Schettini
Enfermeira Obstetra, amiga e colaboradora da Berço D’Água
Edição por Klara Coelho Barker



O ciclo 'medo-tensão-dor' é um modelo que explica didaticamente como ocorre a dor no corpo. Ele esclarece que ter medo gera tensão, e a tensão aumenta a intensidade da dor. E, principalmente, aumenta a percepção que a pessoa tem da dor. Mais dor, mais medo. Mais medo, mais tensão. Ou seja, um ciclo vicioso em que uma coisa retroalimenta a outra. Então, para quebrar este ciclo é preciso lidar com o medo do parto. Lidar com o medo implica em ressignificar a “dor do parto”.

Para um parto natural, é fundamental ver com outros olhos a dor que surge com as contrações. No sentido de entender que ela é fundamental em todo o processo de parturição. Entender que ela vem e passa, como a onda do mar, que aos poucos toma forma, alcança o ápice para depois se dissolver em um grande oceano de transformação interna. É uma dor que vem de dentro, pois é algo que seu corpo produz para auxiliar no parto, não devendo, portanto, ser encarada como algo negativo e insuportável. A mulher deve trazer consciência para os intervalos entre as contrações, entendendo a oscilação entre contração e relaxamento, permitindo-se viver esta alternância e transformar a dor em algo tolerável.

A respiração é uma grande aliada nesse processo. Assim como a dor, ela é representada por uma onda que se inicia ao preenchermos nosso pulmão de ar, onde a sua completa expansão representa o pico que lentamente vai decaindo com a eliminação do ar, que já oxigenou todo o nosso corpo, trazendo vitalidade. Por isso, essas duas ondas devem caminhar juntas, uma vez que respirar lento e profundamente e vocalizar auxiliam no relaxamento emocional e físico do corpo.

Parir é uma jornada única, mágica, cheia de mistérios. Um caminho desconhecido, mas que não deve gerar tensão, uma vez que o hormônio adrenalina compete com ocitocina e desfaz a sinergia perfeita. Essa onda que vem e vai, permite um espaço para mulher respirar, acalmar-se, preparar-se para a próxima onda que virá e seguir em frente, acreditando que a chegada de seu filho está cada vez mais próxima. Ou seja, essa dor não é algo a vencer e contra a qual devemos lutar, porque ela não resulta de uma patologia, ela não sinaliza algo que está errado, apenas sinaliza o processo fisiológico do parto, tornando-se nossa aliada neste momento.




Diante disto, o obstetra francês Michel Odent reforça o impacto positivo do parto normal ao longo da vida humana. Atualmente, temos diversas informações seguras sugerindo que a forma como nós nascemos tem consequências duradouras por toda a vida. Que passar por dentro do canal vaginal é fundamental para o estabelecimento saudável da microbiota intestinal do bebê. Que é fundamental para permitir a expansão pulmonar adequada e favorecer a entrada do oxigênio e modificações anatômicas no corpo do recém nascido. Sabemos que a microbiota intestinal é fundamental para nossa sobrevivência e que a nossa saúde depende de sua interação com o nosso sistema imunológico. E que esta interação se estabelece imediatamente após o nascimento. Faz uma grande diferença para o bebê encontrar primeiro os microrganismos transmitidos e carregados pela mãe (no contato pele-a-pele imediato), sendo estes já conhecidos e familiarizados pelo bebê, antes de ser colonizado por germes do ambiente hospitalar ou de uma pessoa desconhecida. Já foi dito que a forma como a mulher dá à luz pode influenciar na qualidade e na duração da amamentação.

Neste sentido, todos precisamos redescobrir as necessidades básicas da mulher em trabalho de parto e do recém-nascido. Para ajudá-los a atravessar este momento tão intenso. Uma tarefa difícil depois de milhares de anos de grande interferências e controle cultural no processo de nascimento em todas as sociedades.

Para isso, a mulher quando engravida deve procurar apoio profissional e se preparar fisicamente e, acima de tudo, emocionalmente para o parto. Sendo o protagonismo e direito de escolha aquilo que deve prevalecer.

Quem trabalha nesta área, por sua vez, deve gostar verdadeiramente do que faz para exercer a profissão com amor e compaixão. Ter suas práticas pautadas em estudos sérios e atuais. Ser o mesmo profissional no setor público ou privado, ou seja, buscar adotar as mesmas condutas e respeitar a dignidade de cada família onde quer que ela esteja.

Defendo a liberdade de escolha e toda mulher merece isso!

Viva o amor puro, viva a ocitocina!



Referências:

- O que seria o parto humanizado? Disponível em:
www.maesaudavel.com.br/colunistas/renata/o-que-seria-o-parto-humanizado

- Érica de Paula: Afinal, parir dói? Disponível em:
https://revistatrip.uol.com.br/trip-transformadores/trip-transformadores-2016-erica-de-paula-fala-sobre-a-dor-do-parto

- A Dor do Parto. Disponível em:
https://redeocitocina.com/blog

- A dor além do parto. Disponível em:
https://m.youtube.com/watch?v=cIrIgx3TPWs

- A dor do parto, de Jéssica Scipioni. Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=IILyGeg14vI

- Dor do Parto (Depoimento de 12 Mulheres). Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=aiISlvddgPM

- A ocitocina: o hormônio do amor. Disponível em:
http://www.sentidosdonascer.org/blog/2015/06/ocitocina-o-hormonio-do-amor

- Os hormônios do parto. Disponível em:
http://www.comparto.com.br/portal/os-hormonios-do-parto

- O Diário de Bordo do Parto escrito pela pediatra Luciana Herrero - Editora Aninhare.

- Reprodução da palestra de Michel Odent no Seminário BH pelo Parto Normal, em 2008. Disponível em:
www.sentidosdonascer.org/blog/2016/01/a-prioridade-hoje-e-mamiferizar-o-parto-por-michel-odent
 

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